CRIME INFORMÁTICO
Rui Pinto libertado. Juíza diz que arguido mudou
O hacker vai ser julgado por 90 crimes, mas a sua colaboração com a Polícia Judiciária valeu-lhe a liberdade e a suspensão de outros processos de que era alvo. Carta do diretor do DCIAP foi essencial.
UM INCENTIVO AO JUIZ IVO ROSA QUEM SABE...
Saturday, August 8, 2020
MAS O RUI RIO JÁ GANHOU AS AUTÁRQUICAS COM A DISTRIBUIÇÃO A GRANEL DOS SOCIALISTAS.COISAS DE SOCIAL DEMOCRACIA À ESQUERDA...QUE ADORAM RUMAR A ÁFRICA!
André Ventura agrega. Rui Rio balcaniza
Rio é o exemplo mais anacrónico da ilusão de separar a esquerda democrática ou moderada da esquerda radical para se aproximar da primeira imaginando que tal possa ser benéfico para o que quer que seja
08 ago 2020, 00:03
Custou mas foi. A 31 de julho de 2020 desfiliei-me do PSD depois de uma ligação afetiva que remonta ao impacto da morte trágica de Francisco Sá Carneiro, e a quinze anos de militância partidária estéril. À medida que o correr do tempo me impõe uma arrumação mental radicalmente à direita (no sentido de ir à raiz do ideal político enquanto fenómeno moral, intelectual, social, histórico), o PSD agravou a rota em sentido inverso. Não dá mais.
A fulanização conta, mas não é o essencial. Os ideais políticos patrocinados por Rui Rio, José Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite ou Luís Marques Mendes venceram as duas últimas eleições internas consecutivas no PSD quando tudo já era demasiado óbvio, o que quer dizer que existe um substrato mental e identitário relevante no interior do partido que continuará eternamente ancorado num passado histórico morto, o do tempo da direita boazinha que se limita a ser aquilo que a esquerda permitia que ela seja. Claro que existe uma outra componente do PSD, mas para essa sobra uma porta de saída cada dia mais escancarada.
Não é possível manter funcional uma identidade coletiva nos mesmos moldes quando a realidade circundante faz emergir do seu interior dois universos morais, intelectuais e existenciais incompatíveis. O Chega é ao mesmo tempo a causa e a terapia do PSD, e a vantagem está nos que agregam, não nos que se balcanizam seja por razões internas, seja pelo contexto externo.
A conjugação entre uma e outra evidencia que direita e esquerda são incompatíveis e é justamente a esquerda dita moderada, dado o seu peso político e eleitoral, o núcleo mais nefasto das democracias ocidentais. Chegou o tempo da democracia portuguesa amadurecer através da clarificação inequívoca entre esses campos políticos, uma questão de princípio absolutamente fundamental.
Tal clarificação é o pressuposto da estabilidade social e política e da prosperidade económica, isto é, por ela passa a restauração da dignidade portuguesa. Se os partidos políticos são meros instrumentos de um processo em que o substantivo é a renovação da mente coletiva no que ela tem de moral, intelectual e cívico, no entanto a liderança partidária será decisiva para que isso aconteça, sobretudo num momento em que das classes médias às mais desfavorecidas a perceção do fenómeno político está a mudar rapidamente.
Tendo em conta que a transformação social tem no seu âmago (finalmente!) a representação crescente da esquerda enquanto movimento político moralmente nefasto e intelectualmente desqualificado, quem à direita melhor demarcar o seu espaço em relação à esquerda, mais abrirá as portas para um Portugal distinto para melhor. Três ordens de razões complementares garantem a concretização dessa possibilidade: uma moral, outra histórica e uma última pragmática ou instrumental.
A razão moral
Se admitirmos que direita e esquerda fazem sentido, temos de admitir também que são moralmente diferentes. O primado moral que orienta a direita é necessariamente distinto do primado moral que orienta a esquerda. A direita submete-se à tradição milenar judaico-cristã e filosófica gerada na Antiguidade Clássica que, na substância, se define pela autorresponsabilidade, isto é, a responsabilidade pelo destino coletivo é remetida para o interior do sujeito, seja ele um sujeito individual ou um sujeito coletivo. A esquerda, da moderada à radical, submete-se ao primado moral da vitimização nascido da tradição soviética e, neste caso, a responsabilidade pelo destino coletivo é remetida para fora do sujeito, para o que o sujeito toma como o seu opressor.
Trata-se de orientações morais antónimas com consequências necessariamente antagónicas, entre a viabilidade e a inviabilidade da vida coletiva. Uma resiste há cerca de três milénios e meio. A outra foi testada sem ambiguidades apenas no último século (resulta da revolução bolchevique de 1917) e, na forma precoce, no máximo remonta à revolução francesa (1789). Ou seja, não estão em causa diferençazinhas acidentais, antes dois universos existenciais tão inconfundíveis quanto incompatíveis. Logo, moralmente só existe uma direita e só existe uma esquerda (a eterna vítima que jamais entenderá que um Estado sobre endividado é uma aborto moral e apenas uma Sociedade compelida a perder o respeito por si mesma tolera tal desmando).
É por isso que esquerda democrática moderada e esquerda socialista radical (em Portugal, da socialista à bloquista e comunista) são moralmente a mesma coisa. É preciso viver numa crise moral profunda para não admitir tamanho óbvio.
A razão histórica
No caso da razão histórica, chamo a atenção para o significado da guerra fria (1945-1991), uma vez que o mundo é produto direto dessa herança. No tempo da guerra fria, a nível ideológico, político, social, económico, militar, geoestratégico o sistema internacional viveu fragmentado em dois blocos radicalmente antagónicos e que, por isso mesmo, tiveram desfechos distintos. Foi talvez a época histórica mentalmente mais caótica cuja terapia continua adiada. O bloco ocidental ou capitalista era liderado pelos EUA correspondendo ao campo das democracias, das sociedades livres, das economias de mercado, da liberdade individual ou religiosa, por aí adiante. O bloco de leste ou comunista era o campo das ditaduras, das economias estatizadas, das sociedades compulsivamente coletivizadas, dos abusos do Estado sobre o indivíduo.
É preciso viver na mais pura alienação mental para acreditar que serão os herdeiros do último campo que nos tratarão, no século XXI, a liberdade e a prosperidade. Trata-se de uma falcatrua infantil na qual, pelos vistos, uma parte significativa dos eleitores portugueses acredita. Combater isso é o mais elementar dever cívico em nome da sanidade mental coletiva.
Desde a revolução soviética de 1917 que os ventos comunistas foram penetrando no mundo ocidental e, durante a guerra fria, descontadas as franjas radicais de esquerda (leninistas, estalinistas, trotskistas, maoístas), a esquerda ocidental era essencialmente social-democrata, no sentido moderado do termo, porque o contexto impunha a necessidade de se demarcar do bloco soviético inimigo como condição de legitimar a sua existência nas democracias ocidentais e, por isso mesmo, demarcava-se das esquerdas extremistas.
Com o fim da guerra fria dada a implosão da URSS, em 1991, o Ocidente deixou de ter um bloco inimigo ostensivo. Logo, as esquerdas do mundo ocidental, no seu conjunto, perderam a necessidade de se demarcarem da URSS e foram-se aproximando entre si, ao mesmo tempo que se aproximavam da sua matriz mental originária: leninista, estalinista, trotskista, maoísta.
Daí em diante e até hoje, a esquerda ocidental tornou-se crescentemente numa só, fenómeno dificilmente reversível por causa do primado moral. Nos EUA o Partido Democrata foi cada vez mais absorvido por franjas radicais de esquerda e, em Portugal, essa tendência histórica foi acelerada, desde 2015, quando António Costa instituiu a Geringonça tornando ainda mais difícil distinguir socialistas de bloquistas ou comunistas. Exemplos do que ocorre por todo o mundo ocidental.
Resumindo, o curso da história retirou razão de ser à fragmentação da esquerda em tendências. A direita (minimamente) inteligente e decente deve atuar de acordo com o princípio da realidade olhando para a esquerda como é, um tronco moral e histórico comum.
A razão pragmática ou instrumental
A razão pragmática ou instrumental não é menos fundamental do que as anteriores para que as sociedades se possam libertar de disfuncionalidades e atrasos. A portuguesa como outras.
Desde a revolução francesa (1789) e, seguramente, desde a revolução soviética (1917) a esquerda tem crescido por cissiparidade. Quanto mais ela se subdividiu, mais forte e hegemónica se tornou. E quanto mais assim foi, tanto maior a desgraça dos povos. E foi a ingenuidade da direita que deu esse trunfo de mão beijada à esquerda, uma direita ocidental tornada irresponsável por continuar a insistir em tamanho erro, crescentemente inadmissível desde o final da guerra fria.
Em Portugal, Rui Rio é o exemplo mais anacrónico da ilusão de separar a esquerda democrática ou moderada da esquerda radical para se aproximar da primeira imaginando que isso possa ser benéfico para o que quer que seja. Daí que, nesta última leva dos desastres sucessivos das governações socialistas, o PSD ficará para sempre corresponsável. Se os militantes lúcidos que vão restando no partido não percebem isso, também não perceberão mais nada.
Não é necessária especial perspicácia para entender que a esquerda trata a direita como uma só – de forma manifesta ou latente, toda a direita para a esquerda é má, ignorante, neoliberal, fascista –, estratégia cujo impacto no pensamento de senso comum é de extrema eficácia, o que se traduz em resultados eleitorais. O senso comum simplifica e será sempre inevitavelmente redutor na interpretação das mensagens. Quem estuda o pensamento social sabe que isso só é problemático quando não se dá atenção ao papel do primado moral na condução do destino das sociedades. É por isso que é em sociedades moralmente falidas, dominadas por relativismos, que a esquerda vive como peixe na água.
E como é que a direita boazinha responde? Aceitando ser tratada e descartada pela esquerda como uma só, enquanto trata a esquerda com as tonalidades que esta gosta e impõe. Essa direita boazinha inútil em Portugal corresponde provavelmente a metade do PSD e do CDS.
Nota final
André Ventura tornou-se o primeiro político em Portugal com capacidade efetiva de inverter a situação: passar a tratar toda a esquerda como uma só e fragmentar a direita, a cissiparidade que permite a afirmação social de um campo político. É tempo da esquerda provar do seu próprio veneno. Se e o Chega conseguir associar o que já conquistou a um conservadorismo convincente nas questões sociais e culturais e a um não menos convincente liberalismo no campo económico terá condições únicas para crescer no espaço político português e, eventualmente, poder vir a ganhar eleições a prazo.
Não se tenham ilusões. A estabilidade do jogo partidário é proporcional à sustentabilidade do progresso económico. Na matéria, a sociedade portuguesa não se confunde com a norte-americana, inglesa ou alemã. André Ventura abre a autoestrada para o futuro de Portugal enquanto Rui Rio vai apagando luzes e fechando portas.
Rio é o exemplo mais anacrónico da ilusão de separar a esquerda democrática ou moderada da esquerda radical para se aproximar da primeira imaginando que tal possa ser benéfico para o que quer que seja
08 ago 2020, 00:03
Custou mas foi. A 31 de julho de 2020 desfiliei-me do PSD depois de uma ligação afetiva que remonta ao impacto da morte trágica de Francisco Sá Carneiro, e a quinze anos de militância partidária estéril. À medida que o correr do tempo me impõe uma arrumação mental radicalmente à direita (no sentido de ir à raiz do ideal político enquanto fenómeno moral, intelectual, social, histórico), o PSD agravou a rota em sentido inverso. Não dá mais.
A fulanização conta, mas não é o essencial. Os ideais políticos patrocinados por Rui Rio, José Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite ou Luís Marques Mendes venceram as duas últimas eleições internas consecutivas no PSD quando tudo já era demasiado óbvio, o que quer dizer que existe um substrato mental e identitário relevante no interior do partido que continuará eternamente ancorado num passado histórico morto, o do tempo da direita boazinha que se limita a ser aquilo que a esquerda permitia que ela seja. Claro que existe uma outra componente do PSD, mas para essa sobra uma porta de saída cada dia mais escancarada.
Não é possível manter funcional uma identidade coletiva nos mesmos moldes quando a realidade circundante faz emergir do seu interior dois universos morais, intelectuais e existenciais incompatíveis. O Chega é ao mesmo tempo a causa e a terapia do PSD, e a vantagem está nos que agregam, não nos que se balcanizam seja por razões internas, seja pelo contexto externo.
A conjugação entre uma e outra evidencia que direita e esquerda são incompatíveis e é justamente a esquerda dita moderada, dado o seu peso político e eleitoral, o núcleo mais nefasto das democracias ocidentais. Chegou o tempo da democracia portuguesa amadurecer através da clarificação inequívoca entre esses campos políticos, uma questão de princípio absolutamente fundamental.
Tal clarificação é o pressuposto da estabilidade social e política e da prosperidade económica, isto é, por ela passa a restauração da dignidade portuguesa. Se os partidos políticos são meros instrumentos de um processo em que o substantivo é a renovação da mente coletiva no que ela tem de moral, intelectual e cívico, no entanto a liderança partidária será decisiva para que isso aconteça, sobretudo num momento em que das classes médias às mais desfavorecidas a perceção do fenómeno político está a mudar rapidamente.
Tendo em conta que a transformação social tem no seu âmago (finalmente!) a representação crescente da esquerda enquanto movimento político moralmente nefasto e intelectualmente desqualificado, quem à direita melhor demarcar o seu espaço em relação à esquerda, mais abrirá as portas para um Portugal distinto para melhor. Três ordens de razões complementares garantem a concretização dessa possibilidade: uma moral, outra histórica e uma última pragmática ou instrumental.
A razão moral
Se admitirmos que direita e esquerda fazem sentido, temos de admitir também que são moralmente diferentes. O primado moral que orienta a direita é necessariamente distinto do primado moral que orienta a esquerda. A direita submete-se à tradição milenar judaico-cristã e filosófica gerada na Antiguidade Clássica que, na substância, se define pela autorresponsabilidade, isto é, a responsabilidade pelo destino coletivo é remetida para o interior do sujeito, seja ele um sujeito individual ou um sujeito coletivo. A esquerda, da moderada à radical, submete-se ao primado moral da vitimização nascido da tradição soviética e, neste caso, a responsabilidade pelo destino coletivo é remetida para fora do sujeito, para o que o sujeito toma como o seu opressor.
Trata-se de orientações morais antónimas com consequências necessariamente antagónicas, entre a viabilidade e a inviabilidade da vida coletiva. Uma resiste há cerca de três milénios e meio. A outra foi testada sem ambiguidades apenas no último século (resulta da revolução bolchevique de 1917) e, na forma precoce, no máximo remonta à revolução francesa (1789). Ou seja, não estão em causa diferençazinhas acidentais, antes dois universos existenciais tão inconfundíveis quanto incompatíveis. Logo, moralmente só existe uma direita e só existe uma esquerda (a eterna vítima que jamais entenderá que um Estado sobre endividado é uma aborto moral e apenas uma Sociedade compelida a perder o respeito por si mesma tolera tal desmando).
É por isso que esquerda democrática moderada e esquerda socialista radical (em Portugal, da socialista à bloquista e comunista) são moralmente a mesma coisa. É preciso viver numa crise moral profunda para não admitir tamanho óbvio.
A razão histórica
No caso da razão histórica, chamo a atenção para o significado da guerra fria (1945-1991), uma vez que o mundo é produto direto dessa herança. No tempo da guerra fria, a nível ideológico, político, social, económico, militar, geoestratégico o sistema internacional viveu fragmentado em dois blocos radicalmente antagónicos e que, por isso mesmo, tiveram desfechos distintos. Foi talvez a época histórica mentalmente mais caótica cuja terapia continua adiada. O bloco ocidental ou capitalista era liderado pelos EUA correspondendo ao campo das democracias, das sociedades livres, das economias de mercado, da liberdade individual ou religiosa, por aí adiante. O bloco de leste ou comunista era o campo das ditaduras, das economias estatizadas, das sociedades compulsivamente coletivizadas, dos abusos do Estado sobre o indivíduo.
É preciso viver na mais pura alienação mental para acreditar que serão os herdeiros do último campo que nos tratarão, no século XXI, a liberdade e a prosperidade. Trata-se de uma falcatrua infantil na qual, pelos vistos, uma parte significativa dos eleitores portugueses acredita. Combater isso é o mais elementar dever cívico em nome da sanidade mental coletiva.
Desde a revolução soviética de 1917 que os ventos comunistas foram penetrando no mundo ocidental e, durante a guerra fria, descontadas as franjas radicais de esquerda (leninistas, estalinistas, trotskistas, maoístas), a esquerda ocidental era essencialmente social-democrata, no sentido moderado do termo, porque o contexto impunha a necessidade de se demarcar do bloco soviético inimigo como condição de legitimar a sua existência nas democracias ocidentais e, por isso mesmo, demarcava-se das esquerdas extremistas.
Com o fim da guerra fria dada a implosão da URSS, em 1991, o Ocidente deixou de ter um bloco inimigo ostensivo. Logo, as esquerdas do mundo ocidental, no seu conjunto, perderam a necessidade de se demarcarem da URSS e foram-se aproximando entre si, ao mesmo tempo que se aproximavam da sua matriz mental originária: leninista, estalinista, trotskista, maoísta.
Daí em diante e até hoje, a esquerda ocidental tornou-se crescentemente numa só, fenómeno dificilmente reversível por causa do primado moral. Nos EUA o Partido Democrata foi cada vez mais absorvido por franjas radicais de esquerda e, em Portugal, essa tendência histórica foi acelerada, desde 2015, quando António Costa instituiu a Geringonça tornando ainda mais difícil distinguir socialistas de bloquistas ou comunistas. Exemplos do que ocorre por todo o mundo ocidental.
Resumindo, o curso da história retirou razão de ser à fragmentação da esquerda em tendências. A direita (minimamente) inteligente e decente deve atuar de acordo com o princípio da realidade olhando para a esquerda como é, um tronco moral e histórico comum.
A razão pragmática ou instrumental
A razão pragmática ou instrumental não é menos fundamental do que as anteriores para que as sociedades se possam libertar de disfuncionalidades e atrasos. A portuguesa como outras.
Desde a revolução francesa (1789) e, seguramente, desde a revolução soviética (1917) a esquerda tem crescido por cissiparidade. Quanto mais ela se subdividiu, mais forte e hegemónica se tornou. E quanto mais assim foi, tanto maior a desgraça dos povos. E foi a ingenuidade da direita que deu esse trunfo de mão beijada à esquerda, uma direita ocidental tornada irresponsável por continuar a insistir em tamanho erro, crescentemente inadmissível desde o final da guerra fria.
Em Portugal, Rui Rio é o exemplo mais anacrónico da ilusão de separar a esquerda democrática ou moderada da esquerda radical para se aproximar da primeira imaginando que isso possa ser benéfico para o que quer que seja. Daí que, nesta última leva dos desastres sucessivos das governações socialistas, o PSD ficará para sempre corresponsável. Se os militantes lúcidos que vão restando no partido não percebem isso, também não perceberão mais nada.
Não é necessária especial perspicácia para entender que a esquerda trata a direita como uma só – de forma manifesta ou latente, toda a direita para a esquerda é má, ignorante, neoliberal, fascista –, estratégia cujo impacto no pensamento de senso comum é de extrema eficácia, o que se traduz em resultados eleitorais. O senso comum simplifica e será sempre inevitavelmente redutor na interpretação das mensagens. Quem estuda o pensamento social sabe que isso só é problemático quando não se dá atenção ao papel do primado moral na condução do destino das sociedades. É por isso que é em sociedades moralmente falidas, dominadas por relativismos, que a esquerda vive como peixe na água.
E como é que a direita boazinha responde? Aceitando ser tratada e descartada pela esquerda como uma só, enquanto trata a esquerda com as tonalidades que esta gosta e impõe. Essa direita boazinha inútil em Portugal corresponde provavelmente a metade do PSD e do CDS.
Nota final
André Ventura tornou-se o primeiro político em Portugal com capacidade efetiva de inverter a situação: passar a tratar toda a esquerda como uma só e fragmentar a direita, a cissiparidade que permite a afirmação social de um campo político. É tempo da esquerda provar do seu próprio veneno. Se e o Chega conseguir associar o que já conquistou a um conservadorismo convincente nas questões sociais e culturais e a um não menos convincente liberalismo no campo económico terá condições únicas para crescer no espaço político português e, eventualmente, poder vir a ganhar eleições a prazo.
Não se tenham ilusões. A estabilidade do jogo partidário é proporcional à sustentabilidade do progresso económico. Na matéria, a sociedade portuguesa não se confunde com a norte-americana, inglesa ou alemã. André Ventura abre a autoestrada para o futuro de Portugal enquanto Rui Rio vai apagando luzes e fechando portas.
OS PODEROSOS A GERIR BANCARROTAS
RUI RIO : 31 -UM VERDADEIRO FADO
ANTÓNIO RAMALHO : 32 -O GESTOR DO BANCO ETERNAMENTE MAU
COM PODEROSOS DESTES COMO DIZ O JORNALISMO PENTE FINO SÓ UMA COISINHA AVANÇA SEMPRE: A NOSSA AFRICANIZAÇÃO E NIVELAMENTO POR ÁFRICA QUE ENTREGARAM POR TER PRETOS E NÃO SER NOSSA...MESMO AS ILHAS "DESCOBERTAS DESERTAS" POIS CLARO...E NINGUÉM SE ATREVE A DESAFIAR A LÓGICA DEMOCRATA QUE ATIRA PARA O LADO ONDE ESTIVER VIRADA.SEM RUMO PORTANTO...EUROPA EUROPA EUROPA MAS AFINAL VAMOS RUMANDO CANTANDO E RINDO E COM ORQUESTRA ANTI-RACISTA SEM RAÇAS RUMO À ESCURIDÃO SÓ CÁ DENTRO CLARO...OLHEM QUE HÁ POR AÍ GAJOS A SENTIREM-SE CADA VEZ MELHOR...
ANTÓNIO RAMALHO : 32 -O GESTOR DO BANCO ETERNAMENTE MAU
COM PODEROSOS DESTES COMO DIZ O JORNALISMO PENTE FINO SÓ UMA COISINHA AVANÇA SEMPRE: A NOSSA AFRICANIZAÇÃO E NIVELAMENTO POR ÁFRICA QUE ENTREGARAM POR TER PRETOS E NÃO SER NOSSA...MESMO AS ILHAS "DESCOBERTAS DESERTAS" POIS CLARO...E NINGUÉM SE ATREVE A DESAFIAR A LÓGICA DEMOCRATA QUE ATIRA PARA O LADO ONDE ESTIVER VIRADA.SEM RUMO PORTANTO...EUROPA EUROPA EUROPA MAS AFINAL VAMOS RUMANDO CANTANDO E RINDO E COM ORQUESTRA ANTI-RACISTA SEM RAÇAS RUMO À ESCURIDÃO SÓ CÁ DENTRO CLARO...OLHEM QUE HÁ POR AÍ GAJOS A SENTIREM-SE CADA VEZ MELHOR...
Friday, August 7, 2020
O ANTÓNIO TAVARES UM ESCURINHO QUE MATOU SEM RACISMO AO 4º TIRO O PORTEIRO JÁ TERIA SIDO PRESO?NOS PROCURADOS DA PJ NÃO CONSTA...
"Somos Todos Lucas": Luto e homenagens multiplicam-se por ...www.cmjornal.pt › portugal › detalhe › somos-todos-lu...
25/08/2019 - O principal suspeito do crime de homicídio, António Tavares, continuava este sábado a ser procurado
E NÃO HOUVE MANIF´S NEM NADA.ERA BRANCO O MORTO...
25/08/2019 - O principal suspeito do crime de homicídio, António Tavares, continuava este sábado a ser procurado
E NÃO HOUVE MANIF´S NEM NADA.ERA BRANCO O MORTO...
POR CÁ QUEM É QUE RECEBE DO ESTRANGEIRO TENDO CLARO QUE FAZER "JEITOS" EM PAGA?
JUSTICIA Financiación del partido
El Tribunal de Cuentas descubre facturas sin justificar e irregulares en las cuentas de Podemos del 28-A
NÃO ACHAM ESTRANHA TANTA ALTERAÇÃO DA LEI DA NACIONALIDADE?QUASE TODOS OS ANOS...E AO ANDARMOS NA RUA JÁ PARECE QUE ANDAMOS EM ÁFRICA.ENTÃO NAS OBRAS UI UI UI.O BRANCO FICOU RACISTA...
El Tribunal de Cuentas descubre facturas sin justificar e irregulares en las cuentas de Podemos del 28-A
NÃO ACHAM ESTRANHA TANTA ALTERAÇÃO DA LEI DA NACIONALIDADE?QUASE TODOS OS ANOS...E AO ANDARMOS NA RUA JÁ PARECE QUE ANDAMOS EM ÁFRICA.ENTÃO NAS OBRAS UI UI UI.O BRANCO FICOU RACISTA...
A JOACINE NUNCA SE MANISFESTA ACERCA DA SUA PRIMEIRA PÁTRIA.UM NINHO DE TRAFICANTES DE DROGA E APOIO A TERRORISTAS ISLÂMICOS
Guiné-Bissau tem “ambiente propício” para aumento do tráfico de droga
07/08/2020
GUINÉ-BISSAU
O secretário-geral da ONU, António Guterres, quer que as autoridades da Guiné-Bissau “demonstrem rapidamente” o seu compromisso na luta contra o tráfico de droga com a aplicação do plano aprovado em 2019 pelo anterior Governo.
“É essencial que as autoridades nacionais demonstrem rapidamente o seu compromisso com a luta contra o tráfico de drogas, em particular apoiando a plena implementação do plano de ação estratégico nacional validado em dezembro de 2019”, refere António Guterres, no último relatório sobre a situação política no país, a que a Lusa teve hoje acesso.
SIM NEM TODA A DROGA VEM NO AVIÃO DA TAP.O GROSSO PASSA PELOS JIADISTAS DO SAEL...DE ONDE NOS VEIO A MAIOR PARTE DOS INVASORES EM 711 D.C. JÁ DEVIDAMENTE "CONVERTIDOS" CLARO.COISA QUE O PAPA FRANCISCO NEM SONHA COMO SE FAZ OU FEZ...
OS MODERNOS BUFOS DO REGIME , OS SEUS OBSERVATÓRIOS E OS CATADORES DE ÓDIOS CHEIOS DE ÓDIO A INCENTIVAR A "ACÇÃO" DAS LARGAS CÉLULAS QUE TÊM ESPALHADAS PELO COLONIZADO ESTADO......
Criança negra "cartaz" em manifestação do Chega
Menina negra "vestindo" cartaz identificando-a como adotada, angolana e com pais do Chega foi fotografada na manifestação convocada por Ventura para desmentir racismo do país. Comissão de Proteção recebeu "mais de uma dezena de queixas", juristas veem crime de maus-tratos. "Foi um erro", diz mãe.
Fernanda Câncio
06 Agosto 2020 — 21:47
Afoto, tirada no domingo 2 de agosto na manifestação do partido Chega, convocada pelo seu líder demissionário, André Ventura, para "responder" à concentração ocorrida na sexta-feira anterior em homenagem a Bruno Candé (o ator assassinado a 25 de julho em Moscavide) correu as redes sociais, com centenas, senão milhares de partilhas: uma menina muito pequena, negra, envergando um cartaz amarelo onde se lê "sou adotada, angolana, meus pais são Chega" e com uma bandeira do partido na mão.
"Repugnante"; "abjeto"; "obsceno". Os adjetivos usados no Facebook e no Twitter para qualificar a imagem exprimem indignação e revolta. Houve até quem invocasse, a propósito, os zoos humanos do início do século XX em que às multidões europeias - incluindo portuguesas - eram exibidas, em cercados, pessoas trazidas de África como exemplares dos "indígenas" das colónias. E quem participasse o caso à Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), que nesta quinta-feira admitiu ao DN, em resposta a perguntas do jornal, ter recebido "mais de uma dezena de comunicações a dar conta da situação, através das redes sociais e por mail", encaminhando "a situação para a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens territorialmente competente para verificação e demais termos necessários", por ser a esta "e não à CNPDPCJ que incumbe a verificação da situação e os pressupostos da intervenção."
"Quis mostrar às pessoas que não somos racistas"
Na quarta à noite, porém, quando o DN chegou à fala com a mulher de 44 anos que se apresenta como mãe da criança, não tinha ainda havido qualquer contacto da comissão local. Clara (não é o seu nome verdadeiro, ocultamo-lo para preservar a privacidade da menor), uma empresária que diz ter adotado a menina de quatro anos "há dois, legalmente, em Angola", assumiu ao DN estar muito assustada com as reações à foto e com medo das consequências.
"Fiz o maior disparate da minha vida, foi um ato irrefletido. Estou a ser acusada no Facebook de ser má mãe, mas fiz isto para mostrar que podemos amar-nos uns aos outros. Ela não é o meu troféu, é o amor da minha vida. Tenho uma filha de cor e quis mostrar às pessoas que não somos racistas. O erro foi ter dito que era adotada e de Angola - devia ter escrito "o amor não tem cor". Foi tudo mau. Se tivesse posto "o amor não tem cor" nada disto acontecia. Tenho hoje consciência de que não devia ter feito aquilo nunca, não tenho como me justificar. Algumas pessoas que me conhecem estão incrédulas com o que fiz."
No seu Facebook (apagado após a conversa com o DN), a foto de capa era um slogan - "a vossa era terminou" -, sob o qual se lia "detesto hipocrisia". Nas fotos, havia várias de Clara com André Ventura. Fervorosa militante do Chega, como o marido, garante que o líder demissionário não tinha conhecimento do cartaz. E diz não ter tido noção de estar a usar a filha como uma ferramenta política. "Porque é que pus ali o nome do partido? Porque eu e o meu marido somos da distrital do Chega."
Também no Facebook tinha, até esta quarta-feira à noite, dezenas de fotos (e vídeos) da criança, todas em público, ou seja, acessíveis e descarregáveis por qualquer pessoa. Numa delas, a menina empunha, sorridente, uma bandeira do Chega. "Essa da bandeira foi tirada no ano passado. E já anda aí, a ser partilhada." A voz falha-lhe. "Não tinha noção, não queria de modo nenhum criar mal à minha filha. Acho que ela nunca vai mais vai aparecer na vida, tenho de a proteger ao máximo."
"A criança está ali como objeto"
Quanto à foto da menina feita cartaz que correu as redes, Clara - que aparece na dita, captada de perfil - jura que não foi consentida. "Estão a partilhar uma foto não consentida, com a cara dela, o que é crime. Estão a mexer com uma criança que não tem como se defender." Mas ao vestir-lhe o cartaz na manifestação a ideia não era de que fosse vista, fotografada, filmada? Clara suspira. "Eu sei, eu sei. Que quer que lhe diga? Não aparecer na TV foi uma sorte. Estou tão arrependida. Mesmo lá na manifestação comecei por riscar o adotada com uma caneta, porque percebi que não era a palavra certa. E depois tirei o cartaz. Mas alguém tirou a foto e publicou, e pronto. Se possível, pedia às pessoas para apagarem a foto. Já pedi a várias, mas são tantas."
Receosa de que a comissão de proteção entre em campo, Clara assume o seu maior medo: "Posso perder a minha filha. É que estamos a legalizar a adoção cá, estamos nesse processo." O motivo pelo qual foi buscar uma criança a Angola, quando poderia desencadear um processo de adoção internacional sem sair do país, prefere não dizer: "Não vou responder a essa pergunta."
Dulce Rocha, ex-magistrada do MP e presidente do Instituto de Apoio à Criança, crê que não é caso para receio de perder a menina, que não se deve chegar a uma situação de aferir se os responsáveis legais pela criança têm condições para continuar com ela: "Se calhar seria pior ter os pais em tribunal." Mas assume ter ficado chocada com o que considera "utilização abusiva da imagem da criança, que não está ali existindo por ela mas como objeto. A lei protege a imagem, a personalidade da criança, o seu direito à privacidade, e eles são pais, não são donos." Em termos de eventual ação do MP, pensa que "há a possibilidade de os proibir de exibir a criança desta forma, através de uma providência cautelar, uma ação cível contra os pais." Como sucedeu, lembra, com o programa Supernanny; o Ministério Público desencadeou uma ação para impedir a divulgação da imagem das crianças participantes e as sucessiva instâncias (o caso chegou ao Tribunal Constitucional, cuja decisão é já de 2020) deram-lhe razão.
"Há violação do direito à privacidade e às próprias origens"
Uma outra magistrada, esta no ativo e preferindo não ser identificada, parte da mesma apreciação - "É uma situação abusiva com violação dos direitos da criança ao utilizá-la para fins políticos" - mas vai mais longe. "É que, repare, há uma coisa muito grave, o facto de estarem a revelar informação privada da criança. O nosso processo de adoção tem duas fases para que os progenitores biológicos não saibam quem são os adotantes, e para preservar e privacidade da criança. Uma primeira fase em que se analisa a situação com os pais biológicos, e na qual estes podem defender-se, e uma segunda, após ser decretada a medida de afastamento e de rompimento do vínculo biológico, em que decorre o processo de adoção. Aí introduz-se a criança, com todas as suas características, numa lista nacional, e afere-se a compatibilidade com os candidatos a adotantes. E estes pais adotantes, partir do momento em que expõem publicamente - mesmo que não seja para efeitos políticos - a identidade da criança estão a violar os seus direitos à privacidade, às suas próprias origens."
Esta jurista considera assim que "a comissão de proteção tem de abrir um processo de promoção e proteção, o qual de certeza já está aberto", e, perante a informação, fornecida por Clara, de que a criança está num processo de "legalização da adoção" em Portugal, afirma: "Eu não decretava a adoção desta criança. Repare, um dia vai ver esta fotografia, e como se vai sentir?"
"Estamos perante um crime de maus tratos"
A penalista e professora da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa Inês Ferreira Leite crê até que a situação não se deve limitar a uma intervenção da comissão de proteção: "Considero que estamos perante um crime de maus tratos, previsto no artigo 152.º-A, alínea b, do Código Penal ["Quem, tendo ao seu cuidado ou à sua guarda (...) pessoa menor ou particularmente indefesa, em razão de idade (...), e a empregar em atividades perigosas, desumanas ou proibidas é punido com pena de prisão de um a cinco anos (...)"]."
E explica porquê: "Há uma objetificação da criança que atenta contra a sua dignidade intrínseca, uma instrumentalização como ferramenta para a luta política. Há uma desumanização porque está ali a ser usada como um símbolo; os pais estão mais preocupados em usá-la como símbolo que com o seu bem-estar. Agora, com a idade que tem, a criança não se apercebe e acha tudo muito engraçado, mas um dia vai ter 10, 12, 15 anos, e isto vai causar danos, vai ser interpelada pelos seus pares. E não tenho dúvidas de que em alguns países um casal que fizesse isto a uma criança, tratando-a como instrumento, desenraizando-a, ficaria sem ela."
A magistrada já citada concorre na qualificação: "Acho que é maus tratos, sim, acho que esta criança está a ser maltratada, exposta. Pôr uma criança de quatro anos com um letreiro daqueles... As regras da experiência comum, regras que utilizamos para apreciar a prova, levam-me a pensar que isto foi pensado." Mas, adverte, "não vamos tirar uma criança a uma família que até pode estar a cuidar bem dela".
Ao DN, Clara certifica a sua aflição: "Ontem até me vomitei toda. Só ainda não me bloqueei no Facebook, não desapareci, para assumir as coisas." Mas a sua ideia quando fez isto era dizer que a senhora e o seu marido não são racistas, ou que o país não é racista? "Tenho de assumir que há racismo, tenho de admitir que há. Aliás quando trouxe a minha filha de Angola disseram-me: "Se tinhas cá tanto preto, tinhas de ir buscar a Angola?" Se o racismo existe? Existe. Mas as nossas leis são iguais para todos e a minha filha tem cá todos os direitos. Desde que cumpra as normas."
Nesta quinta-feira à noite, Clara fora já contactada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da sua área. "Vão-me mandar uma carta, não sei o que se vai passar. Não esperava nada disto. Mas eu fui lá, não é? Ninguém me obrigou."
Questionada sobre se tomou conhecimento da situação e se recebeu queixas a ela relativas, a Procuradoria-Geral da República não respondeu até agora.
E A CÂNCIO A EX-NAMORADA DO SÓCRATES QUE FICOU CHATEADA POR NÃO TER UMA CASINHA NO CHIADO...E QUE NUNCA MAS NUNCA "CHEIROU" NENHUMA ROUBALHEIRA ENQUANTO USUFRUÍA DO "BEM BOM" PAGO COM AQUILO QUE ELE GOSTAVA...
PS
SE A PRETINHA LEVASSE UM CRAVO VERMELHO E UMA CAMISOLA DO "CHE" NUMA MANIF DO BLOCO DE ESQUERDA OU DO PCP AI DE QUEM REFILASSE...
Menina negra "vestindo" cartaz identificando-a como adotada, angolana e com pais do Chega foi fotografada na manifestação convocada por Ventura para desmentir racismo do país. Comissão de Proteção recebeu "mais de uma dezena de queixas", juristas veem crime de maus-tratos. "Foi um erro", diz mãe.
Fernanda Câncio
06 Agosto 2020 — 21:47
Afoto, tirada no domingo 2 de agosto na manifestação do partido Chega, convocada pelo seu líder demissionário, André Ventura, para "responder" à concentração ocorrida na sexta-feira anterior em homenagem a Bruno Candé (o ator assassinado a 25 de julho em Moscavide) correu as redes sociais, com centenas, senão milhares de partilhas: uma menina muito pequena, negra, envergando um cartaz amarelo onde se lê "sou adotada, angolana, meus pais são Chega" e com uma bandeira do partido na mão.
"Repugnante"; "abjeto"; "obsceno". Os adjetivos usados no Facebook e no Twitter para qualificar a imagem exprimem indignação e revolta. Houve até quem invocasse, a propósito, os zoos humanos do início do século XX em que às multidões europeias - incluindo portuguesas - eram exibidas, em cercados, pessoas trazidas de África como exemplares dos "indígenas" das colónias. E quem participasse o caso à Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), que nesta quinta-feira admitiu ao DN, em resposta a perguntas do jornal, ter recebido "mais de uma dezena de comunicações a dar conta da situação, através das redes sociais e por mail", encaminhando "a situação para a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens territorialmente competente para verificação e demais termos necessários", por ser a esta "e não à CNPDPCJ que incumbe a verificação da situação e os pressupostos da intervenção."
"Quis mostrar às pessoas que não somos racistas"
Na quarta à noite, porém, quando o DN chegou à fala com a mulher de 44 anos que se apresenta como mãe da criança, não tinha ainda havido qualquer contacto da comissão local. Clara (não é o seu nome verdadeiro, ocultamo-lo para preservar a privacidade da menor), uma empresária que diz ter adotado a menina de quatro anos "há dois, legalmente, em Angola", assumiu ao DN estar muito assustada com as reações à foto e com medo das consequências.
"Fiz o maior disparate da minha vida, foi um ato irrefletido. Estou a ser acusada no Facebook de ser má mãe, mas fiz isto para mostrar que podemos amar-nos uns aos outros. Ela não é o meu troféu, é o amor da minha vida. Tenho uma filha de cor e quis mostrar às pessoas que não somos racistas. O erro foi ter dito que era adotada e de Angola - devia ter escrito "o amor não tem cor". Foi tudo mau. Se tivesse posto "o amor não tem cor" nada disto acontecia. Tenho hoje consciência de que não devia ter feito aquilo nunca, não tenho como me justificar. Algumas pessoas que me conhecem estão incrédulas com o que fiz."
No seu Facebook (apagado após a conversa com o DN), a foto de capa era um slogan - "a vossa era terminou" -, sob o qual se lia "detesto hipocrisia". Nas fotos, havia várias de Clara com André Ventura. Fervorosa militante do Chega, como o marido, garante que o líder demissionário não tinha conhecimento do cartaz. E diz não ter tido noção de estar a usar a filha como uma ferramenta política. "Porque é que pus ali o nome do partido? Porque eu e o meu marido somos da distrital do Chega."
Também no Facebook tinha, até esta quarta-feira à noite, dezenas de fotos (e vídeos) da criança, todas em público, ou seja, acessíveis e descarregáveis por qualquer pessoa. Numa delas, a menina empunha, sorridente, uma bandeira do Chega. "Essa da bandeira foi tirada no ano passado. E já anda aí, a ser partilhada." A voz falha-lhe. "Não tinha noção, não queria de modo nenhum criar mal à minha filha. Acho que ela nunca vai mais vai aparecer na vida, tenho de a proteger ao máximo."
"A criança está ali como objeto"
Quanto à foto da menina feita cartaz que correu as redes, Clara - que aparece na dita, captada de perfil - jura que não foi consentida. "Estão a partilhar uma foto não consentida, com a cara dela, o que é crime. Estão a mexer com uma criança que não tem como se defender." Mas ao vestir-lhe o cartaz na manifestação a ideia não era de que fosse vista, fotografada, filmada? Clara suspira. "Eu sei, eu sei. Que quer que lhe diga? Não aparecer na TV foi uma sorte. Estou tão arrependida. Mesmo lá na manifestação comecei por riscar o adotada com uma caneta, porque percebi que não era a palavra certa. E depois tirei o cartaz. Mas alguém tirou a foto e publicou, e pronto. Se possível, pedia às pessoas para apagarem a foto. Já pedi a várias, mas são tantas."
Receosa de que a comissão de proteção entre em campo, Clara assume o seu maior medo: "Posso perder a minha filha. É que estamos a legalizar a adoção cá, estamos nesse processo." O motivo pelo qual foi buscar uma criança a Angola, quando poderia desencadear um processo de adoção internacional sem sair do país, prefere não dizer: "Não vou responder a essa pergunta."
Dulce Rocha, ex-magistrada do MP e presidente do Instituto de Apoio à Criança, crê que não é caso para receio de perder a menina, que não se deve chegar a uma situação de aferir se os responsáveis legais pela criança têm condições para continuar com ela: "Se calhar seria pior ter os pais em tribunal." Mas assume ter ficado chocada com o que considera "utilização abusiva da imagem da criança, que não está ali existindo por ela mas como objeto. A lei protege a imagem, a personalidade da criança, o seu direito à privacidade, e eles são pais, não são donos." Em termos de eventual ação do MP, pensa que "há a possibilidade de os proibir de exibir a criança desta forma, através de uma providência cautelar, uma ação cível contra os pais." Como sucedeu, lembra, com o programa Supernanny; o Ministério Público desencadeou uma ação para impedir a divulgação da imagem das crianças participantes e as sucessiva instâncias (o caso chegou ao Tribunal Constitucional, cuja decisão é já de 2020) deram-lhe razão.
"Há violação do direito à privacidade e às próprias origens"
Uma outra magistrada, esta no ativo e preferindo não ser identificada, parte da mesma apreciação - "É uma situação abusiva com violação dos direitos da criança ao utilizá-la para fins políticos" - mas vai mais longe. "É que, repare, há uma coisa muito grave, o facto de estarem a revelar informação privada da criança. O nosso processo de adoção tem duas fases para que os progenitores biológicos não saibam quem são os adotantes, e para preservar e privacidade da criança. Uma primeira fase em que se analisa a situação com os pais biológicos, e na qual estes podem defender-se, e uma segunda, após ser decretada a medida de afastamento e de rompimento do vínculo biológico, em que decorre o processo de adoção. Aí introduz-se a criança, com todas as suas características, numa lista nacional, e afere-se a compatibilidade com os candidatos a adotantes. E estes pais adotantes, partir do momento em que expõem publicamente - mesmo que não seja para efeitos políticos - a identidade da criança estão a violar os seus direitos à privacidade, às suas próprias origens."
Esta jurista considera assim que "a comissão de proteção tem de abrir um processo de promoção e proteção, o qual de certeza já está aberto", e, perante a informação, fornecida por Clara, de que a criança está num processo de "legalização da adoção" em Portugal, afirma: "Eu não decretava a adoção desta criança. Repare, um dia vai ver esta fotografia, e como se vai sentir?"
"Estamos perante um crime de maus tratos"
A penalista e professora da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa Inês Ferreira Leite crê até que a situação não se deve limitar a uma intervenção da comissão de proteção: "Considero que estamos perante um crime de maus tratos, previsto no artigo 152.º-A, alínea b, do Código Penal ["Quem, tendo ao seu cuidado ou à sua guarda (...) pessoa menor ou particularmente indefesa, em razão de idade (...), e a empregar em atividades perigosas, desumanas ou proibidas é punido com pena de prisão de um a cinco anos (...)"]."
E explica porquê: "Há uma objetificação da criança que atenta contra a sua dignidade intrínseca, uma instrumentalização como ferramenta para a luta política. Há uma desumanização porque está ali a ser usada como um símbolo; os pais estão mais preocupados em usá-la como símbolo que com o seu bem-estar. Agora, com a idade que tem, a criança não se apercebe e acha tudo muito engraçado, mas um dia vai ter 10, 12, 15 anos, e isto vai causar danos, vai ser interpelada pelos seus pares. E não tenho dúvidas de que em alguns países um casal que fizesse isto a uma criança, tratando-a como instrumento, desenraizando-a, ficaria sem ela."
A magistrada já citada concorre na qualificação: "Acho que é maus tratos, sim, acho que esta criança está a ser maltratada, exposta. Pôr uma criança de quatro anos com um letreiro daqueles... As regras da experiência comum, regras que utilizamos para apreciar a prova, levam-me a pensar que isto foi pensado." Mas, adverte, "não vamos tirar uma criança a uma família que até pode estar a cuidar bem dela".
Ao DN, Clara certifica a sua aflição: "Ontem até me vomitei toda. Só ainda não me bloqueei no Facebook, não desapareci, para assumir as coisas." Mas a sua ideia quando fez isto era dizer que a senhora e o seu marido não são racistas, ou que o país não é racista? "Tenho de assumir que há racismo, tenho de admitir que há. Aliás quando trouxe a minha filha de Angola disseram-me: "Se tinhas cá tanto preto, tinhas de ir buscar a Angola?" Se o racismo existe? Existe. Mas as nossas leis são iguais para todos e a minha filha tem cá todos os direitos. Desde que cumpra as normas."
Nesta quinta-feira à noite, Clara fora já contactada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da sua área. "Vão-me mandar uma carta, não sei o que se vai passar. Não esperava nada disto. Mas eu fui lá, não é? Ninguém me obrigou."
Questionada sobre se tomou conhecimento da situação e se recebeu queixas a ela relativas, a Procuradoria-Geral da República não respondeu até agora.
E A CÂNCIO A EX-NAMORADA DO SÓCRATES QUE FICOU CHATEADA POR NÃO TER UMA CASINHA NO CHIADO...E QUE NUNCA MAS NUNCA "CHEIROU" NENHUMA ROUBALHEIRA ENQUANTO USUFRUÍA DO "BEM BOM" PAGO COM AQUILO QUE ELE GOSTAVA...
PS
SE A PRETINHA LEVASSE UM CRAVO VERMELHO E UMA CAMISOLA DO "CHE" NUMA MANIF DO BLOCO DE ESQUERDA OU DO PCP AI DE QUEM REFILASSE...
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