Setúbal
PSP vai adoptar nova estratégia de policiamento dos bairros sociais em Outubro
07.09.2009 - 07h46 Lusa
A PSP vai a partir de Outubro adoptar uma nova estratégia de policiamento dos bairros sociais mais problemáticos do distrito de Setúbal, disse o comandante distrital, Bastos Leitão.
EU A JULGAR QUE IAM EM LIGAÇÃO COM O SEF ENDURECER A APLICAÇÃO DA LEI, EXPULSAR OS MAIS CRIMINOSOS,PARA EXEMPLO,MAS AFINAL É A CONTINUAÇÃO DA LIÇÃO ANTERIOR.SE CALHAR "RECRUTAR" POLÍCIAS NÃO?
ATÉ HOJE NENHUM POLÍTICO FALOU DA AFRICANIZAÇÃO.E DO SEU CUSTO.E DO ELENCAR DOS "BENEFÍCIOS".SÓ PARA NÓS INDÍGENAS SABERMOS PORQUE RECEBEMOS MENOS
Monday, September 7, 2009
NÃO VENHA COM ESQUISITICES PRETO=POBRE
Novo ano lectivo
Pais lamentam que haja famílias sem acção social em pior situação do que as que têm apoio
07.09.2009 - 08h23 Lusa
Famílias com rendimentos acima do limiar que lhes daria direito à acção social escolar têm de custear todas as despesas associadas ao regresso às aulas, ficando "numa situação mais frágil dos que beneficiam desse apoio", alertam os encarregados de educação.
"Muitas famílias que ganham ligeiramente acima do salário mínimo - e mesmo aquelas com salário médio - enfrentam grandes dificuldades para pagar as despesas associadas ao início do ano lectivo, ficando, muitas vezes, numa situação mais fragilizada do que os beneficiários desse apoio", denunciou o presidente da Confederação Nacional das Associações de País (Confap).
MESMO MATRICULADO SEM ESTAR LEGAL BASTA "QUERER" TUDO O QUE O CARDÁPIO "DÁ" E TEM-NO DE IMEDIATO.AQUI NINGUÉMPEDE RENDIMENTOS AAFRICANOS QUE COMO SE SABE POR DEFINIÇÃO SÃO POBRES,MESMO QUE FILHOS DE MINISTROS DE OUTROS PAÍSES...
OS PRETOSVERDADEIROS SÃO OS POBRES PORTUGUESES,OS TRABALHADORES PORTUGUESES.MAS QUE GOSTAM DE SER CHICOTEADOS PORQUE VOTAM BEM...
Pais lamentam que haja famílias sem acção social em pior situação do que as que têm apoio
07.09.2009 - 08h23 Lusa
Famílias com rendimentos acima do limiar que lhes daria direito à acção social escolar têm de custear todas as despesas associadas ao regresso às aulas, ficando "numa situação mais frágil dos que beneficiam desse apoio", alertam os encarregados de educação.
"Muitas famílias que ganham ligeiramente acima do salário mínimo - e mesmo aquelas com salário médio - enfrentam grandes dificuldades para pagar as despesas associadas ao início do ano lectivo, ficando, muitas vezes, numa situação mais fragilizada do que os beneficiários desse apoio", denunciou o presidente da Confederação Nacional das Associações de País (Confap).
MESMO MATRICULADO SEM ESTAR LEGAL BASTA "QUERER" TUDO O QUE O CARDÁPIO "DÁ" E TEM-NO DE IMEDIATO.AQUI NINGUÉMPEDE RENDIMENTOS AAFRICANOS QUE COMO SE SABE POR DEFINIÇÃO SÃO POBRES,MESMO QUE FILHOS DE MINISTROS DE OUTROS PAÍSES...
OS PRETOSVERDADEIROS SÃO OS POBRES PORTUGUESES,OS TRABALHADORES PORTUGUESES.MAS QUE GOSTAM DE SER CHICOTEADOS PORQUE VOTAM BEM...
E GARANTIDAMENTE VAMOS GANHAR MENOS PARA OUTROS GANHAREM MAIS.
MEP "vai estar no Parlamento" na próxima legislatura, assegura Rui Marques
07.09.2009 - 08h13 Lusa
O Movimento Esperança Portugal (MEP) "vai estar no Parlamento" e "ter um pequeno grupo parlamentar" na próxima Assembleia da República, onde promete provar que "estar fora do governo é tão importante como exercer o poder executivo".
E EM ÁFRICA AINDA EXISTEM MUITOS FUTUROS VOTANTES QUE ALARGARÃO O SEU GRUPO PARLAMENTAR.EM TERRA DE CEGUINHOS QUEM TEM OLHO É REI...
07.09.2009 - 08h13 Lusa
O Movimento Esperança Portugal (MEP) "vai estar no Parlamento" e "ter um pequeno grupo parlamentar" na próxima Assembleia da República, onde promete provar que "estar fora do governo é tão importante como exercer o poder executivo".
E EM ÁFRICA AINDA EXISTEM MUITOS FUTUROS VOTANTES QUE ALARGARÃO O SEU GRUPO PARLAMENTAR.EM TERRA DE CEGUINHOS QUEM TEM OLHO É REI...
Sunday, September 6, 2009
WHO ORDER IN MUSLIM UK...
September 7, 2009
Race riot flared after Muslims were urged to confront right-wing protests
(undefined)
English Defence League supporters and anti-fascist supporters clash
Birmingham’s top Muslim leader urged his followers to “vent their feelings” against anti-Islamic protesters during a weekend rally that ended in violence and dozens of arrests, The Times can reveal.
Muslims were encouraged by the Birmingham Central Mosque to counter-demonstrate during Saturday’s protest in the city, which was organised by the right-wing English Defence League (EDL). It is understood that Muslims were encouraged to confront the protest against the advice given by the West Midlands Police to community leaders to stop their followers from attending.
Race riot flared after Muslims were urged to confront right-wing protests
(undefined)
English Defence League supporters and anti-fascist supporters clash
Birmingham’s top Muslim leader urged his followers to “vent their feelings” against anti-Islamic protesters during a weekend rally that ended in violence and dozens of arrests, The Times can reveal.
Muslims were encouraged by the Birmingham Central Mosque to counter-demonstrate during Saturday’s protest in the city, which was organised by the right-wing English Defence League (EDL). It is understood that Muslims were encouraged to confront the protest against the advice given by the West Midlands Police to community leaders to stop their followers from attending.
QUAL EMPRESA QUAL CARAPUÇA.SOY YO...
Venezuela cerrará otras 29 emisoras de radio
AGENCIAS / ELPAÍS.com
El Gobierno de Hugo Chávez anuncia además la apertura de un nuevo proceso sancionador contra Globovisión
AGENCIAS / ELPAÍS.com
El Gobierno de Hugo Chávez anuncia además la apertura de un nuevo proceso sancionador contra Globovisión
COMO É QUE OS IMPOSTOS NÃO VÃO DEIXAR DE AUMENTAR?
Os impostos vão crescer depois das eleições, apesar de os candidatos jurarem que não os aumentam. É preciso que este seja o assunto-chave da campanha
A QUALIDADE DE VIDA NAS PRISÕES AUMENTA, DEVEM VIR AÍ MAIS 35000 NACIONALIZAÇÕES DE POBRES, REQUALIFICAÇÃO E NOVOS BAIRROS SOCIAIS PARA A "RESERVA" DE MÃO DE OBRA DO PLANO TECNOLÓGICO.E VAI HAVER MUITAS "AVALIAÇÕES" PARA REDUZIR PAGAMENTOS...
VAMOS CHEGAR A UMA ALTURA EM QUE SERÁ VERDADE A MÁXIMA DO BE:OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE.É QUE ESTÃO PELOS IMPOSTOS A NIVELAR POR BAIXO E A TORNAR POBRES OS REMEDIADOS.SÓ FICARÃO RICOS...
A QUALIDADE DE VIDA NAS PRISÕES AUMENTA, DEVEM VIR AÍ MAIS 35000 NACIONALIZAÇÕES DE POBRES, REQUALIFICAÇÃO E NOVOS BAIRROS SOCIAIS PARA A "RESERVA" DE MÃO DE OBRA DO PLANO TECNOLÓGICO.E VAI HAVER MUITAS "AVALIAÇÕES" PARA REDUZIR PAGAMENTOS...
VAMOS CHEGAR A UMA ALTURA EM QUE SERÁ VERDADE A MÁXIMA DO BE:OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE.É QUE ESTÃO PELOS IMPOSTOS A NIVELAR POR BAIXO E A TORNAR POBRES OS REMEDIADOS.SÓ FICARÃO RICOS...
Saturday, September 5, 2009
COISAS DE EMPRESAS
Novembro 04, 2005
O Polvo
Os textos que se seguem, foram publicados por Joaquim Vieira na coluna semanal da Grande Reportagem - Os Passos em Volta - durante o passado mês de Setembro.
Luminescências
A luminescência (medida em lumens) é a medida da intensidade da luz que é na realidade apreendida pelo olho humano.
A radiação luminosa é uma medida do output total na fonte; A luminescência mede apenas a porção que é apreendida.
Luminosidade é uma medida subjectiva do quão brilhante um objecto parece ao olho humano.
É praticamente impossível de medir objectivamente: Uma vela num quarto escuro parecerá brilhante a quem a vê; isso já não acontecerá à luz do sol.
Duas notas prévias:
A primeira, para introduzir um ponto que Joaquim Vieira não refere - presumo, devido ao gap temporal - que António Maximiano Rodrigues integra a Comissão de Honra da actual recandidatura de Mário Soares.
A segunda, para lamentar que a Grande Reportagem - de que Joaquim Vieira já não faz parte - cessará a sua publicação no final do ano.
O Polvo (1) - GR 243, de 20050903
Além da brigada do reumático que é agora a sua comissão, outra faceta distingue esta candidatura de Mário Soares a Belém das anteriores: após a edição de Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido, do seu ex-companheiro de partido Rui Mateus, o livro, que noutra democracia europeia daria escândalo e inquérito judicial, veio a público nos últimos meses do segundo mandato presidencial de Soares e foi ignorado pelos poderes da República.
Em síntese, que diz Mateus?
Que, após ganhar as primeiras presidenciais, em 1986, Soares fundou com alguns amigos políticos um grupo empresarial destinado a usar os fundos financeiros remanescentes da campanha.
Que a esse grupo competia canalizar apoios monetários antes dirigidos ao PS, tanto mais que Soares detestava quem lhe sucedeu no partido, Vítor Constâncio (um anti-soarista), e procurava uma dócil alternativa a essa liderança.
Que um dos objectivos da recolha de dinheiros era financiar a reeleição de Soares.
Que, não podendo presidir ao grupo por razões óbvias, Soares colocou os amigos como testas-de-ferro, embora reunisse amiúde com eles para orientar a estratégia das empresas, tanto em Belém como nas suas residências particulares.
COM SOARES, JÁ NÃO HÁ MORAL PARA CRITICAR FERREIRA TORRES, VALENTIM OU FELGUEIRAS
Que, no exercício do seu «magistério de influência» (palavras suas, noutro contexto), convocou alguns magnatas internacionais – Rupert Murdoch, Silvio Berlusconi, Robert Maxwell e Stanley Ho – para o visitarem na Presidência da República e se associarem ao grupo, a troco de avultadas quantias que pagariam para facilitação dos seus investimentos em Portugal.
Note-se que o «Presidente de todos os portugueses» não convidou os empresários a investir na economia nacional, mas apenas no seu grupo, apesar de os contribuintes suportarem despesas de estada.
Que moral tem um país para criticar Avelino Ferreira Torres, Isaltino Morais, Valentim Loureiro ou Fátima Felgueiras, se acha normal uma candidatura presidencial manchada por estas revelações?
E que foi feito dos negócios do Presidente Soares?
O Polvo (2) - GR 244, de 20050910
A rede de negócios que Soares dirigiu enquanto Presidente, foi sedeada na empresa Emaudio, agrupando um núcleo de próximos seus, dos quais António Almeida Santos, eterna ponte entre política e vida económica, Carlos Melancia, seu ex-ministro, e o próprio filho, João.
A figura central era Rui Mateus, que detinha 60 mil acções da Fundação de Relações Internacionais (subtraída por Soares à influência do PS após abandonar a sua liderança), as quais eram do Presidente mas que fizera do outro depositário na sua permanência em Belém – relata Mateus em Contos Proibidos.
Soares controlaria assim a Emaudio pelo seu principal testa-de-ferro no grupo empresarial. Diz Mateus que o Presidente queria investir nos media: daí o convite inicial para Silvio Berlusconi (o grande senhor da TV italiana, mas ainda longe de conquistar o Governo) visitar Belém. Acordou-se a sua entrada com 40% numa empresa em que o grupo de Soares reteria o resto, mas tudo se gorou por divergências no investimento.
A ÉTICA POLÍTICA É UM VALOR PERMANENTE, E AS SUAS VIOLAÇÕES NÃO PRESCREVEM
Soares tentou então a sorte com Rupert Murdoch, que chegou a Lisboa munido de um memorando interno sobre a sua associação a «amigos íntimos e apoiantes do Presidente Soares», com vista a «garantir o controlo de interesses nos media favoráveis ao Presidente Soares e, assumimos, apoiar a sua reeleição».
Interpôs-se porém, outro magnata, Robert Maxwell, arqui-rival de Murdoch, que invocou em Belém credenciais socialistas. Soares daria ordem para se fazer o negócio com este. O empresário inglês passou a enviar à Emaudio 30 mil euros mensais.
Apesar de os projectos tardarem, a equipa de Soares garantira o seu «mensalão».
Só há quatro anos foi criminalizado o tráfico de influências em Portugal, com a adesão à Convenção Penal Europeia contra a Corrupção.
Mas a ética política é um valor permanente e as suas violações não prescrevem. Daí a actualidade destes factos, com a recandidatura de Soares.
O então Presidente ficaria aliás nervoso com a entrada em cena das autoridades judiciais.
O Polvo (3) - GR 245, de 20050917
A empresa Emaudio, dirigida na sombra pelo Presidente Soares, arrancou pouco após a sua eleição e, segundo Rui Mateus em Contos Proibidos, contava «com muitas dezenas de milhar de contos “oferecidos” por Robert Maxwell (...), consideráveis verbas oriundas do “ex-MASP” e uma importante contribuição de uma empresa próxima de Almeida Santos».
Ao nomear governador de Macau um homem da Emaudio, Carlos Melancia, Soares permite juntar no território Administração Pública e negócios privados.
Acena-se a Maxwell a entrega da estação pública de TV local, com a promessa de fabulosas receitas publicitárias. Mas, face a dificuldades técnicas, o inglês, tido por Mateus como «um dos grandes vigaristas internacionais», recua.
O esquema vem a público, e Soares acusa os gestores da Emaudio de lhe causarem perda de popularidade, anuncia-lhes alterações ao projecto e exige a Mateus as acções de que é depositário e permitem controlar a empresa.
O testa-de-ferro, fiel soarista, será cilindrado – tal como há semanas sucedeu, noutro contexto, a Manuel Alegre.
O DINHEIRO DO FAX DE MACAU DESTINAVA-SE «A QUEM O PRESIDENTE DECIDISSE»
Mas antes resiste, recusando devolver as acções e emperrando a reformulação do negócio. E, quando uma empresa alemã reclama por não ter contrapartida dos 250 mil euros pagos para obter um contrato na construção do novo aeroporto de Macau, Mateus propõe o envio de um fax a Melancia exigindo a devolução da verba.
O Governador cala-se. Almeida Santos leva a mensagem a Soares, que também se cala.
Então, Mateus dá o documento a O Independente, daqui nascendo o «escândalo do fax de Macau».
Em plena visita de Estado a Marrocos, ao saber que o Ministério Público está a revistar a sede da Emaudio, o Presidente envia de urgência a Lisboa Almeida Santos (membro da sua comitiva) para minimizar os estragos. Mas o processo é inevitável.
Se Melancia acaba absolvido, Mateus e colegas são condenados como corruptores.
Uma das revelações mais curiosas do seu livro é que o suborno (sob o eufemismo de «dádiva política») não se destinou de facto a Melancia, mas «à Emaudio ou a quem o Presidente da República decidisse». Quem, afinal, deveria ser réu?
O Polvo (4) - GR 246, de 20050924
Ao investigar o caso de corrupção na base do «fax de Macau», o Ministério Público entreviu a dimensão da rede de negócios então dirigida pelo Presidente Soares, desde Belém.
A investigação foi encabeçada por António Rodrigues Maximiano, procurador-geral adjunto da República, que a dada altura se confrontou com a eventualidade de inquirir o próprio Soares.
Questão demasiado sensível, que Maximiano colocou ao então procurador-geral da República, Narciso da Cunha Rodrigues. Dar esse passo era abrir a caixa de Pandora, implicando uma investigação ao financiamento dos partidos políticos, não só do Ps mas também do PSD – há quase uma década repartindo os governos entre si.
A previsão era catastrófica: operação «mãos limpas» à italiana, colapso do regime, república dos juízes.
Cunha Rodrigues, envolvido em conciliábulos com Soares em Belém, optou pela versão mínima: deixar de fora o Presidente e limitar o caso a apurar se o Governador de Macau, Carlos Melancia, recebera um suborno de 250 mil euros.
INVEROSÍMIL? NADA FOI DESMENTIDO PELOS ENVOLVIDOS, NEM NUNCA SERÁ.
Entretanto, Já Robert Maxwell abandonara a parceria com o grupo empresarial de Soares, explicando a decisão em carta ao próprio Presidente.
Mas logo a seguir surge Stanley Ho a querer associar-se ao grupo soarista, intenção que, segundo relata Rui Mateus em Contos Proibidos, o magnata dos casinos de Macau lhe comunica «após consulta ao Presidente da República, que ele sintomaticamente apelida de boss».
Só que Mateus cai em desgraça, e Ho negociará o seu apoio com o próprio Soares, durante uma «presidência aberta» que este efectua na Guarda.
Acrescenta Mateus no livro que o grupo de Soares queria ligar-se a Ho e à Interfina (uma empresa portuguesa arregimentada por Almeida Santos) no gigantesco projecto de assoreamento e desenvolvimento urbanístico da baía da Praia Grande, em Macau, lançado ainda por Melancia, e onde estavam «previstos lucros de alguns milhões de contos».
Com estas operações, esclarece ainda Mateus, o Presidente fortalecia uma nova instituição: A Fundação Mário Soares.
O Polvo (conclusão) - GR 247, de 20051001
As revelações de Rui Mateus sobre os negócios do Presidente Soares, em Contos Proibidos, tiveram impacto político nulo e nenhuns efeitos.
Em vez de investigar práticas porventura ilícitas de um chefe de Estado, os jornalistas preferiram crucificar o autor pela «traição» a Soares (uma tese académica elaborada depois por Edite Estrela, ex-assessora de imprensa em Belém, revelou as estratégias de sedução do Presidente sobre uma comunicação social que sempre o tratou com indulgência).
Da parte dos soaristas, imperou a lei do silêncio: comentar o tema era dar o flanco a uma fragilidade imprevisível.
Quando o livro saíu, a RTP procurou um dos visados para um frente-a-frente com Mateus - todos recusaram.
A omertà mantém-se: o desejo dos apoiantes de Soares é varrer para debaixo do tapete esta história (i)moral da III República, e o próprio, se interrogado sobre o assunto, dirá que não fala sobre minudências, mas sobre os grandes problemas da nação.
O ANÚNCIO DA RECANDIDATURA DE SOARES VEIO ACORDAR VELHOS FANTASMAS
Com a questão esquecida, Soares terminaria em glória uma histórica carreira política, mas o anúncio da sua recandidatura veio acordar velhos fantasmas.
O mandatário, Vasco Vieira de Almeida, foi o autor do acordo entre a Emaudio e Robert Maxwel. Na cerimónia do Altis, viam-se figuras centrais dos negócios soaristas, como Almeida Santos ou Ilídio Pinho, que o Presidente fizera aliar a Maxwell.
Dos notáveis próximos da candidatura do «pai da Pátria», há também homens da administração de Macau sob tutela de Soares, como António Vitorino e Jorge Coelho, actuais eminências pardas do PS; Ou Carlos Monjardino, conselheiro para a gestão dos fundos soaristas e presidente de uma fundação formada com dinheiros de Stanley Ho.
Outros ex-«macaenses» influentes são o Ministro da Justiça Alberto Costa que, como director do Gabinete de Justiça do território, interveio para minorar os estragos de um caso judicial que destapou as ligações entre o soarismo e a Emaudio, ou o presidente da CGD por nomeação de Sócrates, Santos Ferreira, que o governador Melancia pôs à frente das obras do aeroporto de Macau.
Será o polvo apenas uma bela teoria da conspiração?
Etiquetas: Política
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O Polvo
Os textos que se seguem, foram publicados por Joaquim Vieira na coluna semanal da Grande Reportagem - Os Passos em Volta - durante o passado mês de Setembro.
Luminescências
A luminescência (medida em lumens) é a medida da intensidade da luz que é na realidade apreendida pelo olho humano.
A radiação luminosa é uma medida do output total na fonte; A luminescência mede apenas a porção que é apreendida.
Luminosidade é uma medida subjectiva do quão brilhante um objecto parece ao olho humano.
É praticamente impossível de medir objectivamente: Uma vela num quarto escuro parecerá brilhante a quem a vê; isso já não acontecerá à luz do sol.
Duas notas prévias:
A primeira, para introduzir um ponto que Joaquim Vieira não refere - presumo, devido ao gap temporal - que António Maximiano Rodrigues integra a Comissão de Honra da actual recandidatura de Mário Soares.
A segunda, para lamentar que a Grande Reportagem - de que Joaquim Vieira já não faz parte - cessará a sua publicação no final do ano.
O Polvo (1) - GR 243, de 20050903
Além da brigada do reumático que é agora a sua comissão, outra faceta distingue esta candidatura de Mário Soares a Belém das anteriores: após a edição de Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido, do seu ex-companheiro de partido Rui Mateus, o livro, que noutra democracia europeia daria escândalo e inquérito judicial, veio a público nos últimos meses do segundo mandato presidencial de Soares e foi ignorado pelos poderes da República.
Em síntese, que diz Mateus?
Que, após ganhar as primeiras presidenciais, em 1986, Soares fundou com alguns amigos políticos um grupo empresarial destinado a usar os fundos financeiros remanescentes da campanha.
Que a esse grupo competia canalizar apoios monetários antes dirigidos ao PS, tanto mais que Soares detestava quem lhe sucedeu no partido, Vítor Constâncio (um anti-soarista), e procurava uma dócil alternativa a essa liderança.
Que um dos objectivos da recolha de dinheiros era financiar a reeleição de Soares.
Que, não podendo presidir ao grupo por razões óbvias, Soares colocou os amigos como testas-de-ferro, embora reunisse amiúde com eles para orientar a estratégia das empresas, tanto em Belém como nas suas residências particulares.
COM SOARES, JÁ NÃO HÁ MORAL PARA CRITICAR FERREIRA TORRES, VALENTIM OU FELGUEIRAS
Que, no exercício do seu «magistério de influência» (palavras suas, noutro contexto), convocou alguns magnatas internacionais – Rupert Murdoch, Silvio Berlusconi, Robert Maxwell e Stanley Ho – para o visitarem na Presidência da República e se associarem ao grupo, a troco de avultadas quantias que pagariam para facilitação dos seus investimentos em Portugal.
Note-se que o «Presidente de todos os portugueses» não convidou os empresários a investir na economia nacional, mas apenas no seu grupo, apesar de os contribuintes suportarem despesas de estada.
Que moral tem um país para criticar Avelino Ferreira Torres, Isaltino Morais, Valentim Loureiro ou Fátima Felgueiras, se acha normal uma candidatura presidencial manchada por estas revelações?
E que foi feito dos negócios do Presidente Soares?
O Polvo (2) - GR 244, de 20050910
A rede de negócios que Soares dirigiu enquanto Presidente, foi sedeada na empresa Emaudio, agrupando um núcleo de próximos seus, dos quais António Almeida Santos, eterna ponte entre política e vida económica, Carlos Melancia, seu ex-ministro, e o próprio filho, João.
A figura central era Rui Mateus, que detinha 60 mil acções da Fundação de Relações Internacionais (subtraída por Soares à influência do PS após abandonar a sua liderança), as quais eram do Presidente mas que fizera do outro depositário na sua permanência em Belém – relata Mateus em Contos Proibidos.
Soares controlaria assim a Emaudio pelo seu principal testa-de-ferro no grupo empresarial. Diz Mateus que o Presidente queria investir nos media: daí o convite inicial para Silvio Berlusconi (o grande senhor da TV italiana, mas ainda longe de conquistar o Governo) visitar Belém. Acordou-se a sua entrada com 40% numa empresa em que o grupo de Soares reteria o resto, mas tudo se gorou por divergências no investimento.
A ÉTICA POLÍTICA É UM VALOR PERMANENTE, E AS SUAS VIOLAÇÕES NÃO PRESCREVEM
Soares tentou então a sorte com Rupert Murdoch, que chegou a Lisboa munido de um memorando interno sobre a sua associação a «amigos íntimos e apoiantes do Presidente Soares», com vista a «garantir o controlo de interesses nos media favoráveis ao Presidente Soares e, assumimos, apoiar a sua reeleição».
Interpôs-se porém, outro magnata, Robert Maxwell, arqui-rival de Murdoch, que invocou em Belém credenciais socialistas. Soares daria ordem para se fazer o negócio com este. O empresário inglês passou a enviar à Emaudio 30 mil euros mensais.
Apesar de os projectos tardarem, a equipa de Soares garantira o seu «mensalão».
Só há quatro anos foi criminalizado o tráfico de influências em Portugal, com a adesão à Convenção Penal Europeia contra a Corrupção.
Mas a ética política é um valor permanente e as suas violações não prescrevem. Daí a actualidade destes factos, com a recandidatura de Soares.
O então Presidente ficaria aliás nervoso com a entrada em cena das autoridades judiciais.
O Polvo (3) - GR 245, de 20050917
A empresa Emaudio, dirigida na sombra pelo Presidente Soares, arrancou pouco após a sua eleição e, segundo Rui Mateus em Contos Proibidos, contava «com muitas dezenas de milhar de contos “oferecidos” por Robert Maxwell (...), consideráveis verbas oriundas do “ex-MASP” e uma importante contribuição de uma empresa próxima de Almeida Santos».
Ao nomear governador de Macau um homem da Emaudio, Carlos Melancia, Soares permite juntar no território Administração Pública e negócios privados.
Acena-se a Maxwell a entrega da estação pública de TV local, com a promessa de fabulosas receitas publicitárias. Mas, face a dificuldades técnicas, o inglês, tido por Mateus como «um dos grandes vigaristas internacionais», recua.
O esquema vem a público, e Soares acusa os gestores da Emaudio de lhe causarem perda de popularidade, anuncia-lhes alterações ao projecto e exige a Mateus as acções de que é depositário e permitem controlar a empresa.
O testa-de-ferro, fiel soarista, será cilindrado – tal como há semanas sucedeu, noutro contexto, a Manuel Alegre.
O DINHEIRO DO FAX DE MACAU DESTINAVA-SE «A QUEM O PRESIDENTE DECIDISSE»
Mas antes resiste, recusando devolver as acções e emperrando a reformulação do negócio. E, quando uma empresa alemã reclama por não ter contrapartida dos 250 mil euros pagos para obter um contrato na construção do novo aeroporto de Macau, Mateus propõe o envio de um fax a Melancia exigindo a devolução da verba.
O Governador cala-se. Almeida Santos leva a mensagem a Soares, que também se cala.
Então, Mateus dá o documento a O Independente, daqui nascendo o «escândalo do fax de Macau».
Em plena visita de Estado a Marrocos, ao saber que o Ministério Público está a revistar a sede da Emaudio, o Presidente envia de urgência a Lisboa Almeida Santos (membro da sua comitiva) para minimizar os estragos. Mas o processo é inevitável.
Se Melancia acaba absolvido, Mateus e colegas são condenados como corruptores.
Uma das revelações mais curiosas do seu livro é que o suborno (sob o eufemismo de «dádiva política») não se destinou de facto a Melancia, mas «à Emaudio ou a quem o Presidente da República decidisse». Quem, afinal, deveria ser réu?
O Polvo (4) - GR 246, de 20050924
Ao investigar o caso de corrupção na base do «fax de Macau», o Ministério Público entreviu a dimensão da rede de negócios então dirigida pelo Presidente Soares, desde Belém.
A investigação foi encabeçada por António Rodrigues Maximiano, procurador-geral adjunto da República, que a dada altura se confrontou com a eventualidade de inquirir o próprio Soares.
Questão demasiado sensível, que Maximiano colocou ao então procurador-geral da República, Narciso da Cunha Rodrigues. Dar esse passo era abrir a caixa de Pandora, implicando uma investigação ao financiamento dos partidos políticos, não só do Ps mas também do PSD – há quase uma década repartindo os governos entre si.
A previsão era catastrófica: operação «mãos limpas» à italiana, colapso do regime, república dos juízes.
Cunha Rodrigues, envolvido em conciliábulos com Soares em Belém, optou pela versão mínima: deixar de fora o Presidente e limitar o caso a apurar se o Governador de Macau, Carlos Melancia, recebera um suborno de 250 mil euros.
INVEROSÍMIL? NADA FOI DESMENTIDO PELOS ENVOLVIDOS, NEM NUNCA SERÁ.
Entretanto, Já Robert Maxwell abandonara a parceria com o grupo empresarial de Soares, explicando a decisão em carta ao próprio Presidente.
Mas logo a seguir surge Stanley Ho a querer associar-se ao grupo soarista, intenção que, segundo relata Rui Mateus em Contos Proibidos, o magnata dos casinos de Macau lhe comunica «após consulta ao Presidente da República, que ele sintomaticamente apelida de boss».
Só que Mateus cai em desgraça, e Ho negociará o seu apoio com o próprio Soares, durante uma «presidência aberta» que este efectua na Guarda.
Acrescenta Mateus no livro que o grupo de Soares queria ligar-se a Ho e à Interfina (uma empresa portuguesa arregimentada por Almeida Santos) no gigantesco projecto de assoreamento e desenvolvimento urbanístico da baía da Praia Grande, em Macau, lançado ainda por Melancia, e onde estavam «previstos lucros de alguns milhões de contos».
Com estas operações, esclarece ainda Mateus, o Presidente fortalecia uma nova instituição: A Fundação Mário Soares.
O Polvo (conclusão) - GR 247, de 20051001
As revelações de Rui Mateus sobre os negócios do Presidente Soares, em Contos Proibidos, tiveram impacto político nulo e nenhuns efeitos.
Em vez de investigar práticas porventura ilícitas de um chefe de Estado, os jornalistas preferiram crucificar o autor pela «traição» a Soares (uma tese académica elaborada depois por Edite Estrela, ex-assessora de imprensa em Belém, revelou as estratégias de sedução do Presidente sobre uma comunicação social que sempre o tratou com indulgência).
Da parte dos soaristas, imperou a lei do silêncio: comentar o tema era dar o flanco a uma fragilidade imprevisível.
Quando o livro saíu, a RTP procurou um dos visados para um frente-a-frente com Mateus - todos recusaram.
A omertà mantém-se: o desejo dos apoiantes de Soares é varrer para debaixo do tapete esta história (i)moral da III República, e o próprio, se interrogado sobre o assunto, dirá que não fala sobre minudências, mas sobre os grandes problemas da nação.
O ANÚNCIO DA RECANDIDATURA DE SOARES VEIO ACORDAR VELHOS FANTASMAS
Com a questão esquecida, Soares terminaria em glória uma histórica carreira política, mas o anúncio da sua recandidatura veio acordar velhos fantasmas.
O mandatário, Vasco Vieira de Almeida, foi o autor do acordo entre a Emaudio e Robert Maxwel. Na cerimónia do Altis, viam-se figuras centrais dos negócios soaristas, como Almeida Santos ou Ilídio Pinho, que o Presidente fizera aliar a Maxwell.
Dos notáveis próximos da candidatura do «pai da Pátria», há também homens da administração de Macau sob tutela de Soares, como António Vitorino e Jorge Coelho, actuais eminências pardas do PS; Ou Carlos Monjardino, conselheiro para a gestão dos fundos soaristas e presidente de uma fundação formada com dinheiros de Stanley Ho.
Outros ex-«macaenses» influentes são o Ministro da Justiça Alberto Costa que, como director do Gabinete de Justiça do território, interveio para minorar os estragos de um caso judicial que destapou as ligações entre o soarismo e a Emaudio, ou o presidente da CGD por nomeação de Sócrates, Santos Ferreira, que o governador Melancia pôs à frente das obras do aeroporto de Macau.
Será o polvo apenas uma bela teoria da conspiração?
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